Durante muitos anos, quem buscava um cartão de crédito premium olhava quase exclusivamente para salas VIP, programas de milhas e status. Mas algo mudou de forma silenciosa e extremamente relevante entre 2024 e 2025.
Hoje, o verdadeiro diferencial dos cartões de alta renda não está apenas no conforto ou nos pontos acumulados, e sim em pagar ou não pagar IOF nas compras internacionais.
Com as recentes mudanças tributárias e a unificação das alíquotas, o chamado IOF Zero se tornou o novo “benefício invisível” que pode representar uma economia real de 3% a 4% em cada viagem internacional.
E o mais interessante: esse benefício não vem do governo, mas de uma estratégia agressiva dos próprios bancos para atrair e reter clientes de alta renda.
Neste artigo completo, você vai entender o que é o IOF, por que ele pesa tanto no bolso de quem viaja, como os cartões premium passaram a absorver esse custo, quais bancos lideram esse movimento e, principalmente, para quem esse benefício realmente faz diferença.
O que é IOF e por que ele pesa tanto para quem viaja
O IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é um tributo federal que incide sobre diversas transações, incluindo câmbio, crédito e seguros. No contexto das viagens internacionais, ele aparece de forma quase invisível, mas com impacto direto no custo final de cada compra feita fora do Brasil.
Durante muito tempo, o IOF era visto como um “mal necessário”, algo que simplesmente fazia parte do jogo. Em compras internacionais com cartão de crédito, a alíquota tradicional era de 6,38%, enquanto contas globais e remessas tinham percentuais menores. Isso criou, por anos, uma percepção de que cartão de crédito era sempre mais caro no exterior.
O cenário começou a mudar quando o governo anunciou, inicialmente, um plano de redução gradual do IOF até 2028. Porém, em meados de 2025, houve uma reviravolta: a alíquota foi unificada em 3,5%, tanto para cartões quanto para contas globais (sem finalidade de investimento).
Na prática, isso nivelou o jogo. E foi exatamente nesse momento que os bancos enxergaram uma oportunidade estratégica.
Como o IOF se transformou em um problema — e depois em vantagem
Para quem viaja com frequência ou faz compras internacionais recorrentes, o IOF deixou de ser um detalhe e passou a ser um custo estrutural. Em uma viagem de US$ 5.000, por exemplo, 3,5% de IOF representam US$ 175, algo próximo de R$ 1.000 dependendo do câmbio.
Esse valor, sozinho, já é suficiente para pagar diárias de hotel, experiências ou até uma passagem doméstica em promoção. Não é pouco dinheiro.
Os bancos perceberam que, se conseguissem absorver esse imposto, o cartão de crédito deixaria de ser o vilão e passaria a ser a melhor opção para gastos no exterior — especialmente quando combinado com pontos, milhas e prazo de pagamento.
Assim nasceu a estratégia do IOF Zero, que não é uma isenção legal, mas sim uma devolução inteligente do imposto pago.
Como funciona a mecânica do “IOF Zero” na prática

É importante entender que o IOF Zero não elimina o imposto na origem. A lei continua sendo respeitada. O que muda é a forma como o banco lida com esse custo.
Funciona assim:
- Você faz uma compra internacional normalmente.
- O IOF de 3,5% é lançado na fatura, conforme a legislação.
- O banco identifica essa transação.
- Em seguida, lança um crédito do mesmo valor, anulando o impacto do imposto.
O resultado prático? Você paga zero de IOF, mesmo que ele tenha sido tecnicamente cobrado.
A vantagem que muita gente ignora
Ao usar um cartão de crédito com IOF Zero, você ainda preserva benefícios que as contas globais não oferecem:
- Prazo de pagamento (até 40 dias dependendo do fechamento da fatura)
- Acúmulo de pontos ou milhas sobre o valor total da compra
- Centralização dos gastos em uma única fatura
- Proteções do cartão (seguro, chargeback, garantia estendida)
Ou seja, você elimina o imposto sem abrir mão das vantagens do crédito.
Como os cartões de alta renda passaram a absorver esse custo

Esse movimento não começou nos cartões básicos. Foram os cartões premium — voltados ao público de alta renda — que lideraram a mudança.
O motivo é simples: esse público tem maior volume de gastos internacionais, maior fidelidade e maior potencial de rentabilidade para o banco. Absorver o IOF, nesse contexto, virou um investimento em relacionamento.
Além disso, o IOF Zero é um benefício:
- Difícil de copiar rapidamente
- Pouco explorado fora do nicho especialista
- Extremamente tangível no bolso do cliente
Enquanto salas VIP podem ser lotadas e milhas podem desvalorizar, economizar 3,5% em cada compra é imediato e concreto.
Algumas instituições se destacaram ao transformar o IOF Zero em um verdadeiro argumento de venda, reposicionando o cartão de crédito premium como uma ferramenta financeiramente mais eficiente para gastos internacionais.
Porto Bank : pioneirismo e escala
O Porto Bank foi um dos primeiros a perceber o potencial estratégico do IOF Zero. Seu principal diferencial está na abrangência: o benefício foi estendido para praticamente toda a base de cartões, incluindo Gold, Platinum, Black e Infinite.
Para usufruir do IOF Zero, o cliente precisa apenas ativar a função diretamente no aplicativo, o que torna o processo simples, acessível e transparente. No caso do cartão Visa Infinite, o pacote fica ainda mais atrativo com pontuação elevada em compras internacionais, que pode chegar a 3,5 pontos por dólar.
Banco Safra : foco no cliente private
O Banco Safra adotou uma estratégia mais seletiva. O IOF Zero costuma estar vinculado a clientes de altíssima renda ou àqueles com um relacionamento mais profundo com a instituição, característica típica do segmento private.
O grande diferencial do Safra está no spread cambial historicamente mais baixo. Quando esse fator é combinado com o IOF Zero, o custo final das transações internacionais tende a ser um dos mais competitivos do mercado, muitas vezes inferior até mesmo ao das contas globais.
BTG Pactual: cashback inteligente
O BTG Pactual entrou na disputa do IOF Zero com uma abordagem flexível e moderna, especialmente em cartões como o Ultrablue. Um bom exemplo dessa estratégia é o TAP BTG Pactual Black: O Cartão Black Ideal para Acumular Milhas e Viajar Melhor, que combina benefícios financeiros reais com foco em quem viaja com frequência.
Em vez de rotular o benefício diretamente como IOF Zero, o banco opta por devolver o valor por meio de cashback na fatura ou na conta, de forma total ou parcial, dependendo do perfil do cartão e do relacionamento do cliente.
Na prática, o efeito é semelhante ao IOF Zero tradicional: menos imposto pago e mais retorno financeiro para o usuário, seja em dinheiro ou na forma de pontos e milhas. Isso reforça a proposta de valor dos cartões premium do BTG Pactual como ferramentas eficientes para gastos no exterior, unindo economia, acúmulo de recompensas e melhor experiência de viagem.
Comparação prática: gastar no exterior com e sem IOF
Com a unificação da alíquota em 3,5%, a comparação entre cartão e conta global ficou mais equilibrada — e, em muitos casos, virou o jogo a favor do cartão premium.
Conta global tradicional
- IOF de 3,5% na remessa
- Spread geralmente entre 1% e 2%
- Débito imediato
- Não acumula pontos ou milhas
Cartão de crédito com IOF Zero
- IOF efetivo: 0%
- Spread médio entre 4% e 6% (variável por banco)
- Prazo para pagamento
- Acúmulo de pontos ou cashback
- Benefícios adicionais de proteção
Quando o cartão tem spread controlado, o custo final pode ser igual ou até menor — com muito mais vantagens agregadas.
Para quem o IOF Zero realmente faz diferença
Esse benefício não é apenas marketing. Ele gera impacto real para alguns perfis específicos.
Viajantes frequentes
Quem viaja várias vezes por ano sente o efeito imediatamente. Cada passagem, hotel ou refeição paga no exterior gera economia direta.
Pessoas que concentram gastos no cartão
Se você prefere centralizar despesas no cartão para controle financeiro, o IOF Zero evita que essa escolha saia mais cara.
Quem acumula milhas estrategicamente
Eliminar o IOF enquanto continua acumulando pontos transforma o cartão em uma ferramenta de ganho, não apenas de pagamento.
O que observar no regulamento antes de usar
Apesar de atraente, o IOF Zero exige atenção a alguns detalhes importantes.
- Ativação prévia: alguns bancos exigem que o cliente ative a função no app.
- Elegibilidade: nem todos os cartões da instituição participam.
- Limites mensais: pode haver teto para devolução do IOF.
- Prazo de crédito: o estorno pode ocorrer alguns dias após a compra.
Ler o regulamento evita surpresas e garante que você aproveite o benefício corretamente.
Conclusão
O IOF Zero não é apenas uma tendência passageira. Ele reflete uma mudança profunda na forma como os bancos competem por clientes de alta renda. Ao transformar um imposto em benefício, essas instituições criaram um diferencial real, mensurável e altamente valorizado.
Se você está avaliando um novo cartão premium ou repensando sua estratégia de gastos internacionais, olhar para o IOF deixou de ser opcional. Virou prioridade.
